O vento fazia barulhos estranhos no exterior da casa. Fazia com que os galhos batessem contra os vidros da janela e emitissem rugidos, como o de um bicho medonho de uma história infantil. Talvez isso tenha sido a consequencia de todos aqueles pesadelos que tinha presenciado nas noites anteriores. E agora, com os pensamentos a mil, acendeu a luz e sentou-se em seu travesseiro, fazendo movimentos para frente e para trás com aquele corpo intacto sob a cama.
O relógio marcava exatamente 2:22 minutos, incrivelmente a soma dos algarismos era 6 e esse número, digamos assim, a perseguia veemente durante todos os seus longos dias. Voltou ao calor de suas cobertas, porém, ouvia seu coração pulsando fortemente sobre seu peito, uma sensação inédita, sentia como se fosse explodir. Mas, meu Deus, o que poderia ser? Não tinha nada a estar nervosa. A confusão mental tomou conta dela que, em questão de segundos, adormeceu.
Não recorda com o que sonhou, acredita que tenha sido somente uma página em preto e branco, sem personagens, sem vida alguma. Despertou e agora, sem razões, sentiu novamente seu coração saindo pela boca e seus pensamentos voando como uma pomba. O que poderia ser? - retornou ela a perguntar - não sabia como e nem porque estava assim.
O nervosismo a tomou completamente, seus mãos, trêmulas, não encontravam mais o copo cheio de água e nem a maçaneta da porta: não tinha solução, estava perdida. Todos já desconfiam o motivo de tudo isso, mas estão errados. Na verdade, eu espero que estejam.
E o que era mesmo? Era um sentimento de rejeição, de insatisfação. Mas porque ela deveria se importar? Já que ninguém não cuida nada além do que a vontade própria. E porque será que isso a dominava e a deixava tão mau? Não sei, mas talvez seja por todos aqueles dias que ela achava que era feliz e que agora se foram, como uma estrela sob a luz do luar.
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