Sinto uma necessidade em desabafar, mas não sei o quê. É uma melancolia que combina um tom de cinza das nuvens cheias de chuva que estão a cair. Tem uma certa ausência também, só que não chega a ser determinante. Tudo isso porque eu ainda lembro de tudo. Tudo que eu aprendi, que vivemos e tudo que eu sofri. Você me olhava com aquele olhar penetrante, perdurante e insaciável e me deixava completamente sem palavras. O silêncio falou por nós dois, ou melhor, nada fala por aquilo que um deseja que não estivesse morto.
Porém alguns anos atrás eu tive que dizer adeus, porque você havia se tomado de mim. Tive que afrouxar meus braços porque os seus já estavam sufocando demais. Acabei me entretendo com falsos amores e prazeres. As ressacas continuas viraram parte da rotina.
Sei que foi embora e que não volta mais. Apesar de ter certeza que o amor continua dentro de mim e dentro de ti, naquele restinho de sentimento que existe em nós dois. E como você sempre me dizia 'as coisas que são para ser nunca vão ir embora...'
Acho que minha vida é assim agora, procuro em outros braços os seus abraços e em outras bocas o seu beijo. Sempre foi e sempre vai ser assim, e o pior é que não consigo mais distinguir o que é o certo e o que é o errado porque você já me trouxe até aqui, mesmo sem querer.
Mas hoje caminho com os braços vazios enquanto os teus têm outro alguém para segurar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário